
Poucos símbolos do futebol mundial são tão reconhecidos quanto o escudo da seleção argentina. Presente no uniforme usado por Lionel Messi e pelas gerações que conquistaram os títulos mundiais da Argentina, o emblema com ramos de louro e estrelas representando as conquistas da Copa do Mundo tornou-se uma das marcas esportivas mais famosas do planeta.
O que poucos torcedores sabem é que a origem desse símbolo está ligada à comunidade judaica argentina e ao trabalho de um judeu chamado Norberto Rud.
O desenho do escudo foi criado por Rud em 1976, quando ele fazia parte de um tradicional clube nautico de Buenos Aires chamado HaKoach. O jovem judeu utilizou seus conhecimentos de design gráfico e comunicação visual para desenvolver uma identidade própria para a seleção nacional.
Segundo relatos da época, Rud percebeu que várias seleções europeias possuíam símbolos facilmente identificáveis, enquanto a Argentina era reconhecida basicamente pelas tradicionais cores azul e branca de sua camisa. Durante as transmissões da televisão, que na época eram em preto e branco, a ausência de um emblema tornava a seleção menos distinguível visualmente.
Convencido de que a Argentina precisava de uma identidade visual compatível com sua tradição futebolística, Rud produziu cerca de 20 versões do escudo e encaminhou o projeto à direção da Associação de Futebol da Argentina, a AFA. A proposta foi aprovada e o símbolo estreou oficialmente no dia 28 de novembro de 1976, em um amistoso contra a então União Soviética, disputado em Buenos Aires.
O jogo foi realizado no Estádio do River Plate, o El Monumental, e terminou em um empate de zero a zero. A seleção, comandada pelo lendário técnico César Luis Menotti, fazia na altura um jogo amistoso, como parte dos preparativos para a Copa do Mundo de 1978.
Quase meio século depois, o desenho permanece praticamente inalterado. Com a popularidade mundial de Messi e o sucesso recente da seleção argentina, o escudo criado pelo designer judeu tornou-se um dos emblemas esportivos mais reproduzidos e reconhecidos em todo o mundo.
“Como filho, membro da comunidade judaica e argentino, é motivo de orgulho para mim”, afirmou Oliver Rud, filho de Norbert Rud, em entrevista à Agência Telegráfica Judaica (JTA). “Toda vez que vejo o escudo da seleção argentina, ainda me impressiona.”
A mãe de Norberto Rud imigrou da Ucrânia para a Argentina, seguindo uma trajetória comum entre famílias judaicas que chegaram ao país durante a primeira metade do século XX. Nascido em março de 1948, Rud permaneceu ligado ao HaKoach durante grande parte da vida e também praticou futebol no clube.
Nesta terça-feira, 7, a Seleção Argentina enfrentou a Seleção do Egito, depois desta ter se classificado após uma dramática vitória contra a Seleção da Austrália quatro dias antes, na sexta-feira, dia 3.
Durante as comemoraões pela classificação, o técnico do Egito, Hossam Hassan, apanhou uma bandeira palestina e saiu caminhando pelo campo, enquanto a torcida gritava “Palestina Livre, Palestina Livre”. Na entrevista pós-jogo, Hassan afirmou que o seu “coração e alma” estavam com o povo palestino (sic) e dedicou a vitória tanto aos egípcios quanto aos palestinos (sic).
A demonstração do apoio egípcio aos árabes israelenses contrasta com o apoio do Governo Argentino a Israel.
Já em Israel, uma pesquisa de uma revista israelense revelou que a Seleção Argentina é a favorita entre os telespectadores israelenses para a conquista da Copa do Mundo, sendo citada por 38% dos entrevistados como a seleção que eles esperam que vença.
O jogo desta quarta-feira aconteceu uma década depois de Lionel Messi ter provocado uma reação negativa no Egito ao anunciar, em um programa de televisão egípcio, que doaria suas chuteiras para uma instituição de caridade do Cairo. Os apresentadores do programa acusaram Messi de ser judeu e de ter ligações com Israel, país que ele havia visitado três anos antes.
Na oportunidade, Azmi Mogahed, porta-voz da Federação Egípcia de Futebol, recusou-se a aceitar a oferta, dizendo: “Eu sei que ele é judeu, ele fez doações para Israel, visitou o Muro das Lamentações e tudo mais. Por tudo isso, nós não precisamos das chuteiras dele e os pobres do Egito não precisam da ajuda de alguém com cidadania judaica ou sionista.”
Azmi Mogahed faleceu em setembro de 2020, sem ver a seleção do seu país conquistar nenhum título de repercussão internacional, e Norberto Rud faleceu em janeiro de 2010, após ver o escudo criado por ele brilhar duas vezes, nas conquistas dos mundiais de 1978 e 1986.
Azmi Mogahed foi sepultado no Cairo, em completo esquecimento, enquanto Norberto Rud foi sepultado com honras no Cemitério Judaico de La Tablada, em Buenos Aires.
ANDS | JTA | TIMES OF ISRAEL


