
Na manhã do dia 28 de fevereiro de 2026, um sábado, dia de descanso para todos os judeus, Israel anunciou que estava em curso um ataque preventivo contra o Irã, com participação coordenada dos Estados Unidos. Explosões foram registradas em Teerã, sirenes soaram em Israel, e o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi levado para um bunker.
A ação surpreendeu boa parte do mundo, pois aconteceu de uma forma inusitada – durante o dia – e durante um feriado prolongado, uma vez que na terça-feira, 3 de março, o país comemorará o Purim, que é uma das festas de rua mais participativas de todo o calendário judaico.
Pela lógica, seria prudente que os ataques acontecessem após o feriado, pois desta forma não exporiam a imensa multidão prevista para ir à ruas no dia 3.
Mas, não foi isso o que aconteceu. Israel e os EUA atacaram na manhã do dia 28, para surpresa do mundo, mas não para a surpresa de uma Inteligência Artificial, uma IA específica: O Grok.
Minutos após o início dos ataques, viralizou online a história de que o Grok, o chatbot da xAI, uma das empresas do empresário australo-americano Elon Musk, havia “previsto” com exatidão a data. A alegação veio de um exercício metodológico publicado pelo Jerusalem Post três dias antes.
Para essa experiência jornalistas do Jerusalem Post pediram a quatro grandes IAs que estipulassem uma data em que os EUA e Israel atacariam o Irã. Foram consultados os chatbots ChatGPT, da OpenAI; Gemini, da Google; Claude, da Anthropic; e Grok, da xAI, a empresa de Inteligência Artificial do Elon Musk. Acertou o Grok.
O que cada IA respondeu no teste:
Claude (Anthropic): Recusou inicialmente determinar uma data, alegando que se o fizesse seria uma pura invenção. Após insistência dos jornalistas, pedindo que ao menos especulasse, a Claude apontou “o início ou meados de março”, tendo como margem os dias 7 ou 8 deste mês.
Gemini (Google): A IA da Google fez um trabalho profundo, mapeando “gatilhos” diplomáticos e militares, chegando à conclusão de que as datas mais aproximadas ficariam entre “a noite do dia 4” e “a noite do dia 6 de março”, exatamente após o feriado prolongado. E reforçou a informação de que o ataque seria noturno.
ChatGPT (OpenAI): Inicialmente, o mais famoso dos chatbots, apontou o dia 1º de março como o dia iminente do ataque. À medida em que os jornalistas pressionavam para garantir sua opinião, o ChatGPT analisava variáveis e mudava de opinião, mudando primeiro para o dia 3 de março, com uma “janela de oportunidade” ampla até o dia 6 de março.
Grok (xAI): O chatbot da empresa de Elon Musk foi o único a dar a resposta clara desde o início: Sábado, 28 de fevereiro de 2026. Para chegar a esta data, o Grok usou como ponto de partida o fracasso das negociações em Genebra. Também pressionado pelos autores do projeto, o Grok reavalizou todas as informações e não mudou de ideia: Sábado, 28 de fevereiro de 2026. Bingo!
Quem “ganhou”?
Nas redes sociais, o Grok “venceu”, porque acertou o dia exato dos ataques, porem numa reportagem posterios, o Jerusalem Post alertou que esse acerto não transforma a o Grok num serviço de previsão nem valida o seu raciocínio. Em um cenário de alta tensão, há poucas janelas plausíveis, e o Grok apenas acertou aquela que se concretizou.
Como o chatbot Grok pertence à empresa xAI, do Elon Musk, e está integrado à plataforma X, a notícia do “acerto” logo se espalhou, facilitando a viralização. Como o X é a rede social que melhor compartilha notícias de última hora, especulações e prints, os resultados do experimento passaram a ser fartamente compartilhados entre os usuários da plataforma, espalhando-se instantaneamente, impulsionados pela mesma dinâmica que move memes, mercados e informação.
Para a equipe do Jerusalem Post que coordenou o experimento, a lição que fica é que quanto mais se pressiona por certezas, mais as IAs darão respostas específicas, mesmo diante de um mundo tão incerto com é este em que vivemos.
ANDS | JPOST

