
Foi aberta ontem em Jerusalém a segunda edição da JNS International Policy Summit, uma reunião de cúpula que congrega jornalistas e empresas de comunicação judaicas de todo o mundo. Durante três dias, de 21 a 23 de junho, representantes da mídia judaica estarão reunidos no Waldorf Astoria de Jerusalem.
A JNS é uma agência de notícias e plataforma editorial que produz e distribui conteúdos sobre Israel e o mundo judaico para outros meios de comunicação. Ela fornece notícias, análises e opinião para centenas de jornais e sites parceiros.
Além dos jornalistas ligados à JNS, estiverem presentes altos funcionários governamentais, diplomatas, formuladores de políticas, filantropos, acadêmicos, líderes de mídia, especialistas em segurança nacional e figuras religiosas.
O foco principal desta conferência é discutir os desafios e oportunidades estratégicos de Israel no período pós-7 de outubro de 2023. Os debates reforçam o papel de Israel como uma superpotência militar, econômica e ética, abordando temas como as relações Israel-Estados Unidos, segurança regional, a ameaça iraniana, diplomacia baseada na fé, inovação tecnológica e o combate ao antissemitismo.
No domingo, 21 de junho, durante a sessão plenária de abertura intitulada “Israel, Estados Unidos e o Mundo: Uma Nova Era”, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi um dos principais oradores, sendo que o seu discurso está sendo considerado um dos mais impactantes de toda a sua longa carreira política.
Netanyahu destacou as vitórias de Israel sobre o Irã e sobre os grupos terroristas que são apoiados pelo regime iraniano.
Segundo Netanyahu, as ações das Forças de Defesa de Israel impediram um plano de “aniquilação do Estado de Israel” por parte de Teerã. Ele reafirmou que, enquanto for primeiro-ministro, o Irã nunca obterá armas nucleares, independentemente de acordos internacionais. O premier mencionou operações como “Arieh Oleh” (“Leão em Ascensão”) e “Arieh Be-Hitromemut” (“Leão que Ruge), que destruíram infraestruturas nucleares iranianas, eliminaram cientistas e líderes do regime, e causaram danos bilionários à economia da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.
Netanyahu celebrou também as vitórias contra o Hamas e o Hezbollah, incluindo a eliminação de líderes como Yahya Sinwar e Hassan Nasrallah, a destruição de grande parte dos arsenais inimigos e o retorno de todos os reféns de Gaza.
Num pronunciamento de pouco menos de 20 minutos, Netanyahu defendeu a manutenção de zonas de segurança em Gaza, Líbano e Síria pelo tempo que for necessário, adotando uma doutrina de autodefesa proativa: cuja lógica é “atacar primeiro” aqueles que buscam a destruição de Israel.
Sobre as relações com os EUA, o premiê enfatizou a parceria, citando o presidente Trump, mas destacou a independência dos dois países: “Somos líderes de nações independentes e orgulhosas. Defendemos nossos interesses. Muitas vezes concordamos, às vezes não”.
Netanyahu concluiu o seu discurso conclamando os judeus dos EUA e do mundo a não se acovardarem diante das ameaças. Ele disse:
“Peço uma coisa a vocês, judeus dos Estados Unidos e da diáspora: Ergam-se. Não se encolham. Não tenham medo. Reajam. Porque as pessoas só nos respeitarão se nós respeitarmos a nós mesmos.
Quando lançarem mentiras contra nós, respondam com a verdade — e façam isso de cabeça erguida.
Defendam a verdade. Defendam Israel. Defendam o povo judeu. Defendam o futuro judaico.”
Nenatnyahu concluiu o seu discurso sob aplausos.
Outros participantes de destaque no primeiro dia da conferência foram o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, o analista Mark Levin, o editor-chefe da JNS Jonathan S. Tobin e o radialista Sid Rosenberg. O evento porossegue nesta segunda-feira, com painéis abordando tecnologia, diplomacia, inovação e combate ao antissemitismo.
Leia abaixo a íntegra do pronunciamento do premier israelense.
Vocês sabem, nos Estados Unidos dizem que o presidente Trump faz tudo o que eu peço. E, em Israel, dizem que eu faço tudo o que ele quer. Bem, nenhuma das duas coisas é verdade. Somos líderes de países independentes e orgulhosos. Defendemos nossos interesses. Eu defendo os interesses de Israel e sua segurança. E, muitas vezes, concordamos plenamente. Às vezes, não. Mas respeitamos a soberania um do outro, a liderança de cada país e o compromisso com nossos povos.
No ano passado, neste mesmo palco, falei sobre decisões. Decisões difíceis. Decisões históricas. Decisões que, na época, muitos — inclusive vários dos meus adversários políticos — disseram que eu não deveria tomar.
Disseram para eu não entrar em Rafah. Eu entrei em Rafah. Disseram para eu não atacar o Hezbollah. Nós atacamos o Hezbollah. Disseram para eu não enfrentar o Irã. Nós enfrentamos o Irã.
E hoje quero começar com uma pergunta simples: o que nós conquistamos?
Porque essas mesmas pessoas e seus aliados na imprensa estão tentando minimizar nossas conquistas. Na verdade, estão tentando apagá-las completamente. Então, o que foi que conquistamos? Eis o que conquistamos.
Impedimos que o Irã colocasse em prática um plano para nos aniquilar. Hoje eles teriam uma arma nuclear, uma bomba atômica, para fazer isso. Impedimos que isso acontecesse. Eliminamos uma ameaça existencial. E, se não tivéssemos agido na “Operação Leão Ascendente” e depois na “Operação Leão Rugidor”, o Irã teria bombas atômicas. E vou lhes dizer uma coisa: eles as teriam usado. Foi isso que impedimos.
Junto com nossos amigos americanos, a Força Aérea dos Estados Unidos e as Forças Armadas americanas, realizamos o maior ataque aéreo da nossa história.
Destruímos a infraestrutura nuclear do Irã.
Eliminamos 20 dos principais cientistas nucleares deles — 12 na “Leão Ascendente” e mais oito na “Leão Rugidor”. E quando você elimina os cientistas nucleares, torna-se muito difícil produzir uma arma nuclear. Extremamente difícil.
Decapitamos a liderança do regime terrorista. Desmantelamos sua indústria de mísseis. Neutralizamos sua marinha, neutralizamos sua força aérea.
Atacamos suas indústrias militares, suas pontes — atingimos tantos alvos que o dano acumulado causado à economia ligada à Guarda Revolucionária Islâmica não é contado em milhões, nem em centenas de milhões, nem em bilhões; é contado em centenas e centenas de bilhões de dólares. E levará muito tempo para eles se recuperarem. Muito tempo. E talvez nem se recuperem.
Porque, quando golpes desse porte são desferidos e a ruptura entre o regime e o povo se torna tão profunda, ninguém pode prever quando um regime desse tipo cairá. E acredito que criamos as condições para sua futura queda. Essa será a verdadeira vitória: quando o povo iraniano tomar seu destino nas próprias mãos e derrubar esse regime brutal que o aterroriza e aterroriza o resto do mundo.
Mas não enfrentamos apenas o Irã. Nós destruímos o eixo de terror do Irã.
Eliminamos Sinwar. Eliminamos Haniyeh. Eliminamos Deif. Eliminamos dezenas de milhares de terroristas.
E, apesar daqueles que diziam que isso não poderia ser feito, trouxemos de volta para Israel todos os reféns. Cada um deles.
Isso também é algo que alguns dos meus críticos preferem esquecer. Eles diziam: “Parem antes de Rafah. Façam um acordo. Vamos trazer os reféns de volta. Não precisamos entrar em Rafah. Não precisamos controlar o Corredor Filadélfia. Não precisamos derrotar o Hezbollah e, pelo amor de Deus, não devemos enfrentar o Irã.”
Nós não os ouvimos e fizemos o que era necessário. Porque colocamos nossos bravos soldados — nossos soldados de heroísmo incomparável — diretamente em seu reduto em Gaza, e eles capitularam. Trouxemos de volta todos os reféns. E considero isso uma conquista da qual todo o povo de Israel e todo o mundo livre devem se orgulhar.
No Líbano, explodimos — não sei se devo chamar de “beepers” ou “pagers”. Como vocês chamam isso nos Estados Unidos? Beepers. Nós explodimos os beepers. Eliminamos Nasrallah. Desmantelamos a máquina militar do Hezbollah.
Impedimos a Força Radwan de invadir a Galileia. Destruímos mais de 90% dos 150 mil foguetes e mísseis que o Hezbollah acumulou contra nós.
Estabelecemos uma zona de segurança em Gaza. Estabelecemos uma zona de segurança na Síria. Estabelecemos uma zona de segurança no Líbano. E a manteremos pelo tempo que for necessário para proteger nosso povo.
Vou falar de outra conquista que considero, em muitos aspectos, a maior de todas. Como Sara costuma me dizer — e eu escuto. Vocês sabem o que está escrito na Bíblia: Sara disse a Abraão, e Deus disse a Abraão que ouvisse tudo o que Sara lhe dissesse. Bem, eu não sou Abraão, mas escuto minha Sara.
Acho que nossa maior conquista foi romper a barreira do medo.
Durante anos nos disseram que não poderíamos atacar o território iraniano. Que poderíamos realizar operações do Mossad — e realizamos várias. Eu autorizei muitas delas. Mas diziam que não poderíamos enviar nossas forças armadas ao Irã. Nós mudamos isso.
Enviamos nossos valentes pilotos sobre os céus do Irã e eles destruíram alvos do regime, alvos terroristas, baterias de mísseis, instalações de produção de mísseis e instalações nucleares.
Mudamos a doutrina de segurança de Israel. Nós tomamos a iniciativa. Nós atacamos. Nós surpreendemos. E atacamos os inimigos que buscam nossa destruição, que procuram nos matar. Nós os atacamos antes que tenham a oportunidade de fazê-lo.
Se vocês conhecem hebraico: “Ha’ba lehorgecha, hashkem lehorgo.” Mate-os primeiro.
Vim para cá no 50º aniversário da morte do meu irmão em Entebbe, saindo do Monte Herzl, onde visitei seu túmulo. Yoni morreu em Entebbe, liderando seus soldados naquela que é considerada a maior operação de resgate dos tempos modernos.
Entebbe demonstrou que um povo livre, quando reúne coragem e mobiliza sua força, pode derrotar as piores tiranias do mundo, por mais ameaçadoras e desafiadoras que sejam.
E, de fato, depois do resgate em Entebbe, a onda de sequestros de aeronaves que assolava o mundo praticamente desapareceu.
Mas os regimes terroristas não desapareceram. Pelo contrário, continuaram crescendo. E o pior deles é o Irã, o maior patrocinador do terrorismo no planeta.
Trinta e cinco anos depois da morte de Yoni em Entebbe, em 2010, meu pai comemorou — ou melhor, comemoraram para ele — seu centésimo aniversário no Instituto Begin, não muito longe daqui.
Historiadores falaram sobre suas pesquisas sobre a Inquisição Espanhola e as origens do sionismo.
E aqueles que conheciam sua atuação nos Estados Unidos para reunir apoio ao Estado judeu durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo seus encontros com Eisenhower e outros líderes, também falaram sobre isso.
Depois de um dia inteiro de palestras, elogios e homenagens, meu pai subiu ao palco sem ajuda. Ele tinha 100 anos.
E disse o seguinte:
“Obrigado pelos elogios. Obrigado pelas palavras gentis. Mas o tempo é curto, então vou direto ao ponto.”
E então declarou:
“O Irã promete destruir o Estado judeu. O povo de Israel está mostrando ao mundo como uma nação deve agir diante de uma ameaça existencial. Olhem firmemente para o perigo, considerem com calma o que precisa ser feito e o que pode ser feito, e estejam prontos para entrar na luta no momento apropriado.”
Depois disso, encerrou suas palavras. Essas foram as últimas palavras públicas da vida de meu pai:
“Isso me leva à firme convicção”, disse ele, “de que nosso povo fará esse perigo recuar e protegerá sua existência.”
Bem, 16 anos depois, foi exatamente isso que fizemos.
E digo a vocês agora o mesmo que disse diante do túmulo do meu irmão há algumas horas:
Não importa o que aconteça nas negociações, com acordo ou sem acordo, prometo que o Irã jamais terá uma arma nuclear enquanto eu for primeiro-ministro de Israel. Jamais. Enquanto eu for primeiro-ministro de Israel, não permitirei que isso aconteça.
E também disse algo sobre o Líbano, e repito aqui: enquanto for necessário proteger nosso povo, permaneceremos na zona de segurança do sul do Líbano.
E a razão é perfeitamente compreensível. Nenhum país seria obrigado a agir de outra forma.
Vocês conseguem imaginar os Estados Unidos tendo, do outro lado da fronteira, um exército de milhares de terroristas lançando foguetes, mísseis balísticos e drones letais contra suas cidades? Matando seus soldados, seus cidadãos, suas crianças? E ameaçando-os todos os dias?
O que a América faria? Diria: “Não há nada que possamos fazer. Vamos permanecer inativos”? É isso que os Estados Unidos fariam?
Não. Vocês sabem muito bem o que fariam. Cruzariam a fronteira, criariam uma zona de segurança, eliminariam os terroristas e protegeriam seu povo até que a ameaça fosse removida.
É exatamente isso que estamos fazendo.
E vou lhes dizer outra coisa: nenhum país faria isso melhor. Porque os terroristas não apenas atacam civis; eles também se escondem atrás de seus próprios civis. Aliás, ao fazer isso, cometem um duplo crime de guerra.
Então a questão é: o que se faz diante disso?
Nós atacamos os terroristas, mas há vítimas civis em toda guerra desse tipo, em toda guerra urbana. Normalmente, a proporção entre civis e combatentes mortos é de cerca de sete para um ou oito para um. Em Gaza, foi muito menor do que isso, apesar de todas as mentiras e difamações dirigidas contra Israel.
Perguntei aos nossos pesquisadores do Ministério da Defesa: “Qual é a proporção no Líbano?”
E eles me responderam — recebi o relatório hoje:
“Primeiro-ministro, é cinco para um.”
Não cinco civis mortos para cada terrorista. Cinco terroristas mortos para cada civil atingido durante as operações. Cinco para um. Algo sem precedentes.
Porque nenhum exército faz tanto quanto o Exército israelense para atingir terroristas e minimizar vítimas civis.
Deveríamos ser elogiados por isso, não condenados. Fazemos tudo ao nosso alcance para proteger nosso povo. Não estamos em guerra com o Líbano. Estamos em guerra com o Hezbollah, que aterroriza o Líbano e busca nossa destruição.
E quando esse representante do Irã deixar de ser uma ameaça, seja porque foi desmantelado ou desarmado, então sim, teremos paz com o Líbano — e espero poder assinar esse acordo.
Aliás, Mark [dirigindo-se ao apresentador americano Mark Levin, que o apresentou antes do discurso], pretendo continuar aqui por bastante tempo. Quero que saibam disso. Essas questões e outras dizem respeito aos interesses e à segurança do Estado de Israel. Dediquei minha vida à proteção da segurança do Estado de Israel e nada mudará isso. Nada. Absolutamente nada.
E posso fazer isso porque tenho o apoio da minha querida família, da minha esposa e dos meus filhos, mas também porque tenho o apoio da grande maioria do povo de Israel.
Nosso povo é forte. Muito forte. Nossos soldados são corajosos. Não há soldados mais corajosos no planeta. Eles são extraordinariamente heroicos.
E estamos determinados, resolvidos, a proteger nosso país, custe o que custar.
Mas quero falar de outra questão que sei que preocupa todos vocês. Estamos vendo uma maré crescente de antissemitismo. Ela afeta todos os países do mundo neste momento, inclusive os Estados Unidos.
Permitam-me explicar como o antissemitismo funciona ao longo da história.
Desde que perdemos nosso país e nos tornamos indefesos, ficamos vulneráveis não apenas a ataques físicos, mas também às difamações que frequentemente os antecediam. Em um país, enfrentávamos essas acusações e, no fim, isso levava a uma de duas coisas: exílio ou massacre.
Então íamos para outro país e enfrentávamos exatamente a mesma situação: acusações e calúnias de que envenenávamos poços, bebíamos o sangue de crianças assassinadas ou carregávamos doenças. E, aliás, essas mesmas mentiras continuaram até o Holocausto nazista.
Enfrentávamos essas difamações, depois éramos massacrados, depois expulsos para outro país, e o mesmo acontecia repetidamente.
Mas aí ocorreu uma mudança. Ela aconteceu com o surgimento do Estado de Israel e a criação do Exército israelense.
Talvez não consigamos impedir as difamações. Elas vêm e vão em ciclos previsíveis, como meu pai historiador me ensinou.
Mas a diferença é que, quando vêm para nos massacrar, nós reagimos.
Não permitimos que façam isso. Nós reagimos e os derrotamos. Exatamente como fizemos nos últimos três anos.
Prometo a vocês que também travaremos essa batalha contra o antissemitismo em todo o mundo.
Também lutaremos na oitava frente: a batalha contra a deslegitimação, a batalha contra as calúnias dirigidas ao povo judeu.
Mas peço uma coisa a vocês, judeus dos Estados Unidos e da diáspora:
Ergam-se. Não se encolham. Não tenham medo. Reajam.
Porque as pessoas só nos respeitarão se nós respeitarmos a nós mesmos.
Quando lançarem mentiras contra nós, respondam com a verdade — e façam isso de cabeça erguida.
Defendam a verdade. Defendam Israel. Defendam o povo judeu. Defendam o futuro judaico.
ANDS | JNS


